Depoimento | Ana Terra | O poder do coletivo no ATS®

AnaTerra.Depoimentos.fotoMinha experiência com o ATS® se iniciou ao acaso – embora alguns possam discordar de que ele existe. Tinha começado a fazer aulas de dança do ventre no Panambi, e um dia conheci a professora Cíntia na recepção, conversando com uma aluna. Simpatizei com ela de imediato, mais que com o estilo (eu demorei tempinho pra decidir se gostava ou não da mistura de culturas, do figurino, da estética). Nas primeiras aulas, o que me fez ficar foi uma identificação imediata com a postura que o estilo pede: altiva, aberta, a postura de uma mulher poderosa e desafiadora.

Conforme fui avançando nas aulas e aprendendo a liderar e seguir, o estilo se abriu à minha frente como uma possibilidade de fazer parte de um grupo de mulheres unidas por um único propósito: honrar a música e a dança, criando algo bonito juntas, sem competição. A primeira lição que o estilo me deu foi essa: trabalhar em grupo, em cooperação, é possível e agradável. Sempre tive dificuldade de trabalhar em grupo, principalmente em criar coisas coletivamente. Sofro muito para trabalhar junto com outras pessoas, e sempre me senti melhor sozinha.

O que o ATS® me ensina todos os dias é que o grupo não anula o indivíduo, mas exalta sua união e seu propósito no mundo. Existe uma coisa muito bela no indivíduo, sim, e é o modo como, unidos pelas experiências coletivas, por uma subjetividade compartilhada, somos, cada um de nós, uma pessoa que jamais poderia ser replicada. Acredito que se cada pessoa fizer sua parte com consciência, amor próprio e pelo próximo, generosidade e sem julgamentos, somos mais capazes e mais pertencentes.

Acredito que o ATS seja uma dança que nos ensina muitas coisas, e cada uma de nós apreenderá do estilo coisas diferentes. Quem, como eu, é acostumada a decidir, tocar a própria vida sem perguntar por permissão para os outros, chega com “os dois pés” na vida de todos ao redor, aprende que seguir é tão importante quando liderar, que todas aparecem, tem sua vez, que sem o coro a dança não fica tão interessante (como é bonito um coro grande, sincronizado, feliz de estar ali, torcendo para que a formação arrase!), que é preciso (e gostoso) confiar na outra, que é bonito ver o desenvolvimento da colega, vibrar com aquele passo que não sai e que finalmente a gente aprende, que a generosidade é o melhor caminho sempre. Aprendo com a dança a confiar nas minhas companheiras e a ter paciência (inclusive comigo mesma quando erro, ou quando demoro muito para aprender algum passo). Aprendo a ser mais compreensiva comigo mesma, e, consequentemente, com as outras.

Ao mesmo tempo, vejo que as moças mais tímidas e que se vêem “frágeis” aprendem que a liderança não é um momento para temer. Algumas mulheres que se vêem por vezes tão comprometidas com seu trabalho, sua família, sua casa, que se doam tanto e nunca estão em evidência, quando pegam a liderança uma barreira se rompe e elas percebem que podem levar o grupo para longe, adiante, que elas podem brilhar ao fazer o grupo brilhar. Que elas também são lindas, que podem ser líderes, que podem administrar com responsabilidade e amor um grupo e que esse grupo vai amar segui-las.

Nunca vou me esquecer do dia em que uma colega querida, após aprender a pegar a liderança e finalmente conseguir dançar sem parar, sem hesitar, sem travar, ficou emocionada. Como ela chorou no final da dança!, feliz, radiante, assustada e ao mesmo tempo extasiada com seu próprio poder pessoal, com a sensação de liderar uma dança improvisada e ser seguida com confiança por uma colega. Esses momentos preciosos de encontro consigo mesma e de se reconhecer na outra são a beleza no estilo!

Agora, com dois anos praticando o estilo com frequência e tendo concluído o Curso Intensivo do Módulo 3, busco o aperfeiçoamento e planejo um dia fazer a formação no Estilo, buscando a certificação. O propósito é fazer com que outras mulheres (e homens) possam se sentir bem consigo mesmos e com o outro da forma como me sinto por meio dessa dança. Acredito que esses sentimentos não estão dissociados da técnica precisa, da repetição mecânica e do estudo metódico das músicas e das culturas que inspiram esse estilo de dança moderno que evoca tanta ancestralidade. Não tem nada mais gostoso que estar numa sala de aula aprendendo e botando em prática um novo passo! – e olha que eu aaaaamo o palco, a conexão que ele cria entre dançarinas e público, ver a emoção naquela pessoa que está nos assistindo maravilhada com a sincronia e com a felicidade de quem dança.

Porém, se eu precisasse eleger a melhor parte da dança, eu diria que é a roda: quando olhamos umas nos olhos das outras, quando rola aquela comunicação e dançamos juntas, doidas para saber quem será a próxima líder, para que caminhos ela nos levará, que tipos de passos ela escolherá, qual leitura musical vai sair da sua mente, enquanto curtimos esse momento sublime e feliz de dançar em roda os movimentos que gostamos tanto, nos olhando, confiando, entregando, sendo parte umas das outras.

Ana Terra de Leon

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